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O ELEITORADO CARIOCA E O PREFEITO RELIGIOSO

Têm sido recorrentes, em nossas postagens nas redes sociais, comentários que naturalizam os ataques à Laicidade sofridos no Rio de Janeiro sob o argumento de que o eleitorado carioca elegeu um prefeito religioso. Logo, segundo esses comentários, só se deve esperar uma atuação contra a Laicidade por parte do prefeito e dos vereadores eleitos pelo "mesmo eleitorado" que elegeu o prefeito.
 
Mas é importante discutirmos o sentido republicano do princípio da Laicidade, a legitimidade de parte do eleitorado que não votou em um prefeito, mas que quer ser atendida em suas reivindicações como parte da população da cidade, e o dever de uma administração municipal, além de buscarmos compreender mais amplamente a multiplicidade do eleitorado carioca. 
 
Sobre este eleitorado, é importante ressaltar que ele não é monolítico, e elegeu também uma variedade de vereadores, além de ter se dividido em relação às escolha do prefeito: foram 1,7 milhões de votos (59%) para o prefeito eleito e 1,2 milhões para o outro candidato, Marcelo Freixo (PSOL). Sem contar as abstenções. E muitos dos que votaram nele não o fizeram por motivo religioso, mas por maior interesse na sua plataforma do que na plataforma do outro candidato, que se propugnava a defender transformações sociais, motivo de sua eleição que não pode ser descartado. 
 
Nas eleições para vereadores, a maior bancada formada na Câmara foi do MDB, mas seguida da bancada do PSOL, partido do candidato que não ganhou as eleições, mas que formou a segunda maior bancada da câmara. Da coligação do prefeito eleito, apenas 4 vereadores foram eleitos. E vários outros vereadores, de diversos outros partidos, também foram eleitos, a maioria com apenas entre um a três vereadores na Câmara, que possui um total de 51 vereadores, e cujos vereadores com maior número de votos foram o Carlos Bolsonaro do PSC (106 mil votos) e o Tarcísio Motta do PSOL (90 mil votos)... 
 
Então vemos que os cariocas tem variadas posições e que, ao mesmo tempo em que se elegeu um prefeito religioso, foram eleitos e eleitas vereadores e vereadoras como a Marielle, que no curto espaço de tempo de seu mandato, violentamente encerrado com sua trágica morte, atuou no sentido de defender a Laicidade nesta cidade, inclusive com a proposição da emenda que ontem foi rejeitada, mas - o mais importante - que chegou a ser proposta naquela casa legislativa! 
 
Ter um prefeito religioso eleito não deve significar que a população do Rio de Janeiro não deva buscar, por meio da participação, defender os seus direitos e a sua cidadania, não importando quem a maioria elegeu, mas se exigindo de quem tiver sido eleito que atue republicanamente, seja na prefeitura ou na Câmara dos Vereadores. 
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